Jonathan Haidt · A Geração Ansiosa · primeira página
Uma empresa está
recrutando crianças
para morar em Marte.

A sua filha tem dez anos. Ela foi escolhida. E ela quer ir, porque os amigos dela vão.

O argumento da empresa

Eles não querem adultos.
Querem crianças.

38%

da gravidade da Terra

é o que Marte tem. Um corpo adulto não se adapta a isso. Um corpo em formação, talvez sim.

Zero

de campo magnético

Marte não tem magnetosfera. Nada segura a radiação que chega do Sol antes de ela chegar na pele.

Puberdade

a janela que a empresa quer

se a adaptação acontecer durante a puberdade, ela fica. O corpo se organiza em volta do lugar onde está crescendo.

Haidt, The Anxious Generation (2024), introdução

O que já foi medido em astronautas adultos

Quatro órgãos
que se deformam.

"Crianças criadas na baixa gravidade de Marte correriam alto risco de desenvolver deformidades no esqueleto, no coração, nos olhos e no cérebro."

Haidt (2024), citando Grigoriev & Egorov (1992), Hamm et al. (1998) e Milder et al. (2017)

A pergunta · 1 de 3
Você deixaria
ela ir?

Mão levantada, agora. Não vou comentar o resultado. Esta tela volta mais duas vezes hoje.

Ninguém assinaria
aquele papel.

E no entanto: a Geração Z foi a primeira da história a atravessar a puberdade com um portal no bolso, chamando ela para longe das pessoas que estavam ali do lado.

Como a autorização foi dada

A permissão dos pais
era uma caixinha.

13

anos, a idade mínima

foi fixada por uma lei americana de 1998, e virou o padrão do mundo inteiro. Nenhuma verificação foi exigida.

40

em cada 100 crianças abaixo de 13

já usavam Instagram mesmo assim, segundo levantamento de 2021.

Thorn & Benenson Strategy Group (2021), citado por Haidt (2024)

O dado desta sala

Com que idade
o portal chegou?

II

A Grande Reconfiguração

2007 a 2015 · o que mudou, e em que ordem

Não foi um aparelho.
Foram cinco anos.

A troca que aconteceu sem aviso

O que foi trocado
pelo quê.

Antes

infância de brincar

corpo presente, mesmo horário, poucas pessoas de cada vez, e um preço alto para brigar e ir embora. Você tinha que resolver, porque amanhã ia ver a pessoa de novo.

Depois

infância de telefone

corpo ausente, horário nenhum, um para muitos, e custo zero para sumir. Bloquear é mais barato que conversar, e por isso quase ninguém conversa.

Haidt (2024), capítulos 2 e 5

A pergunta · 2 de 3
Você deixaria
ela ir?

Lembrem do detalhe: ela quer ir. Não está sendo obrigada, não foi enganada. Os amigos vão, e ela quer estar onde eles estão.

Twenge & Park · Child Development, 2019 · 8,3 milhões de jovens

Quatro coisas que
a adolescência perdeu.

90 → 73

em cada 100 com carteira de motorista

ao terminar o ensino médio. Dirigir era a primeira coisa que dava autonomia de verdade.

80 → 55

em cada 100 que já trabalharam

por dinheiro. Era entre 75 e 80 em cada 100 no fim dos anos 1970. O primeiro emprego era onde se aprendia a lidar com adulto que não é seu pai.

85 → 58

em cada 100 que já namoraram

ou saíram com alguém. A queda começa antes das redes e acelera depois.

52 → 28

em cada 100 que viam os amigos quase todo dia

fora da escola. Metade da turma de 1978 se encontrava diariamente. Hoje é pouco mais de um quarto.

17
festas a menos por ano do que um aluno do mesmo ano em 1980
Monitoring the Future · Twenge, Spitzberg & Campbell (2019)
Mercado et al. · JAMA, 2017 · registro de pronto-socorro

Autolesão que chega
na emergência.

+18,8%

ao ano, meninas de 10 a 14

seis anos seguidos, de 2009 a 2015. Não é o total: é o quanto cresce a cada ano, em cima do ano anterior.

+7,2%

ao ano, meninas de 15 a 19

de 2008 a 2015. A mesma direção, com metade da força.

estável

meninos, todas as faixas

nenhum aumento estatisticamente significativo em nenhuma idade, no mesmo período e no mesmo país.

Mesmo país, mesmos anos, mesmas escolas. A curva subiu só de um lado.

Rausch & Haidt · registros nacionais de saúde

Cinco países.
Cinco sistemas de saúde.
A mesma virada.

OndeO que foi medidoAumentoEm quanto tempo
Reino Unidoautolesão em prontuário, meninas de 13 a 16+79%2011 a 2013
Canadáautolesão na emergência, meninas de 13 a 17+138%2010 a 2017
Austráliainternação por saúde mental, meninas de 12 a 24+81%2010 a 2020
Suéciadepressão diagnosticada em hospital, meninas de 10 a 14+191%2010 a 2021
Nova Zelândiaansiedade diagnosticada, moças de 15 a 24+259%2011 a 2020

A Suécia é o país mais igualitário desta lista e teve quase o maior aumento. Pobreza não explica.

Braghieri, Levy & Makarin · American Economic Review, 2022 · 775 universidades

O sorteio que
a vida fez.

Dá para medir isso em fração do que causa perder o emprego: cerca de um quinto.

Haidt (2024) · capítulo 5

Os quatro danos
que ele documenta.

01

privação social

o convívio presencial de quem tem 15 a 25 anos caiu de cerca de 60 para cerca de 40 minutos por dia. Entre os maiores de 50, quase não mudou.

02

privação de sono

menos de três em cada dez concluintes do ensino médio dormem sete horas. A recomendação para a idade é nove.

03

fragmentação da atenção

a próxima aula é inteira sobre isto. Por ora, guarde o apito que está tocando desde que eu entrei.

04

vício

recompensa que chega em intervalo imprevisível é a engenharia do caça-níqueis. Vocês já viram isso na aula de dopamina.

American Time Use Survey · Monitoring the Future · Haidt (2024)

O preço não é
o tempo que passou.

É a lista das coisas que nunca aconteceram com você porque, na hora em que elas passaram por perto, você estava olhando para outro lugar.

A pergunta · 3 de 3 · respondida
Você deixaria
ela ir?

Ninguém levantou a mão no começo desta aula. E ainda assim, a viagem já foi feita — só que sem foguete, sem contrato e sem ninguém para assinar.

Viktor Frankl · a fresta que ninguém ocupa

Você não escolheu
o planeta.

"Ao homem pode-se tirar tudo, menos uma coisa: a última das liberdades humanas, escolher a sua atitude perante qualquer tipo de circunstância, escolher o seu próprio caminho."

Viktor Frankl · Em busca de sentido

Nada do que apareceu aqui hoje foi decidido por vocês. A troca aconteceu enquanto vocês aprendiam a andar, e culpar um adolescente por isso é inútil.

Mas o espaço de que Frankl fala continua aí. É pequeno, e é o único pedaço desta aula que nenhuma empresa consegue comprar.

o espaço entre o que acontece e o que você faz
O apito que tocou a aula inteira

Uma a cada
quatro minutos.

237

notificações por dia

é a mediana medida no próprio aparelho de cerca de 200 adolescentes de 11 a 17 anos, durante uma semana inteira.

÷ 16h

o tempo que você passa acordado

dá uma interrupção a cada quatro minutos. É esse o intervalo que apitou aqui hoje, e é o assunto da próxima aula.

Common Sense Media · Constant Companion · 2023 · medição passiva do aparelho

Uma frase, e acabou
Vocês já estão
em Marte.

A próxima aula é sobre o que a gravidade daqui já fez com vocês, e sobre o que dá para desfazer.

Gire o aparelho para a horizontal

a aula foi desenhada em paisagem
Projeto de Vida · Crescer em Marte
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Índice da aula — toque para navegar
Como conduzir

No iPad: deslize para os lados ou toque nas bordas esquerda e direita da tela para navegar. Os controles somem sozinhos depois de alguns segundos — toque na tela para trazê-los de volta.
Teclado: ← → navegam · espaço avança (e controla o cronômetro na tela 16) · N notas · O índice · P modo projetor · F tela cheia · H volta para a lista de aulas.
Projetando: ative o modo projetor (◐) — ele aumenta o contraste para telas lavadas por luz ambiente.

Nota do apresentador

Tela cheia no iPhone

O Safari do iPhone não tem botão de tela cheia. Para apresentar sem a barra do navegador, adicione a aula à tela de início — ela passa a abrir como um aplicativo, ocupando a tela inteira.

  1. 1 Toque em Compartilhar, na barra do Safari.
  2. 2 Role e escolha Adicionar à Tela de Início.
  3. 3 Feche o Safari e abra a aula pelo ícone novo.

É assim que a aula deve ir para o projetor: sem barra, sem endereço, só o conteúdo. Espelhe por AirPlay depois de abrir pelo ícone.